quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O DESTINO DA LEITURA

Divulgação
 
Roger Chartier é um influente historiador francês. Personifica um tipo de intelectual interdisciplinar que atua no cruzamento entre disciplinas que durante muito tempo se ignoraram. Professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, tem uma vastíssima obra, especialmente em história da cultura, com destaque para a história do livro e da leitura na Europa.

Rompe fronteiras com ar conciliador. Não por acaso, numa aula inaugural recentemente ministrada no Collège de France, propôs “escutar os mortos com os olhos” como um exercício de conciliação entre a história moderna, os documentos e a “plêiade de referência” (a tradição intelectual de autores, historiadores, sociólogos e filósofos).
Nesta entrevista, publicada originalmente pela revista Língua Portuguesa, em parceria com a portuguesa Letras com Vida n.º 5 (Lisboa, Gradiva-Clepul, 2012: 10-15. ISNN: 1647-8088), do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Chartier discute a tese de que o livro de papel não está ameaçado pela era digital, quem está é o status da leitura e do leitor. O que está em jogo não seria a mera forma material, mas o modo de percepção, que se fragmentou irreversivelmente.
Para Chartier, esse deve ser nosso ponto de partida, não de chegada, para a análise do efeito da era digital sobre a era do livro. Devemos tirar da fragmentação nossa força, evitando, ao máximo, a aplicação anacrônica de critérios de julgamento sobre as práticas de leitura.
 

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